QUINTANA

Acusado de matar homem com 12 facadas vai a júri popular

Justiça manteve prisão do réu e levantou suspeita sobre possível fraude na cena do crime em Quintana
Diego Pereira
Diego Pereira

Uma faca cravada no pescoço da vítima, cerca de 12 golpes e suspeita de manipulação da cena do crime. O assassinato brutal registrado no fim de 2025 em Quintana agora terá julgamento popular.

A Justiça decidiu levar João Pedro da Silva Azevedo a júri popular pela morte de José Wilson dos Santos, de 33 anos. A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo de Freitas Brito, da 1ª Vara de Pompeia.

Além disso, o magistrado manteve a prisão preventiva do acusado e classificou o caso como crime hediondo e de extrema gravidade.

O homicídio aconteceu na Vila Campante. Segundo a investigação, José Wilson, natural de Sergipe e em situação de rua, morreu após sofrer múltiplas facadas.

O laudo necroscópico apontou aproximadamente 12 golpes. Duas perfurações atingiram regiões vitais do corpo, incluindo pescoço e abdome.

Entretanto, um detalhe encontrado pelos policiais militares chamou ainda mais atenção durante o atendimento da ocorrência: a vítima estava com uma lâmina de faca encravada no pescoço.

Réu alegou legítima defesa

Durante interrogatório judicial, João Pedro admitiu parcialmente o crime, mas alegou legítima defesa.

Segundo ele, a motivação estaria ligada a dívidas de drogas. O acusado afirmou ser usuário de cocaína e disse que vinha sofrendo ameaças feitas por José Wilson.

Ainda conforme o depoimento, a vítima teria invadido sua residência e ameaçado matar seus filhos.

O réu declarou que ambos pegaram facas e iniciaram uma luta corporal. Depois disso, afirmou ter “entrado em choque” e alegou lembrar de apenas dois golpes.

Policiais suspeitaram da cena do crime

Apesar da versão apresentada pela defesa, depoimentos reunidos durante a investigação levantaram dúvidas sobre a narrativa.

Policiais militares afirmaram que encontraram João Pedro sentado calmamente em frente ao corpo quando chegaram ao local.

Além disso, os agentes relataram estranheza ao perceberem uma faca posicionada na mão da vítima. Para a polícia, existe suspeita de que o objeto tenha sido colocado posteriormente para simular legítima defesa.

Segundo os autos, José Wilson não possuía antecedentes criminais. Já o acusado e pessoas próximas a ele eram conhecidos por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

Durante a perícia, equipes também encontraram invólucros de crack no imóvel.

O juiz manteve as três qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP): motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Para o magistrado, a quantidade de golpes aplicados em regiões vitais enfraquece a tese de reação moderada sustentada pela defesa.

Agora, caberá ao Conselho de Sentença decidir se João Pedro é culpado ou inocente.

Enquanto isso, o acusado permanece preso e ainda poderá recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar evitar o júri popular.

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