A França colocou 22 pessoas em observação hospitalar após exposição ao hantavírus. As autoridades de saúde monitoram os chamados “casos de contato” depois do surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius.
Segundo o Ministério da Saúde francês, os pacientes permanecerão internados por pelo menos 14 dias. Além disso, equipes médicas realizam testes frequentes para identificar rapidamente possíveis novos casos da doença.
De acordo com Philippe Besset, representante da principal Federação Francesa de Farmacêuticos, os exames começaram nesta quarta-feira (13). Enquanto isso, o governo prepara um protocolo específico para acompanhar as pessoas expostas ao vírus.
A medida segue orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda vigilância constante em contatos próximos de infectados. Dessa forma, as autoridades tentam evitar a propagação da doença.
Hospital de Paris acompanha pacientes expostos
O infectologista Yazdan Yazdanpanah, do hospital Bichat Claude Bernard, em Paris, afirmou que as equipes realizam testes a cada dois dias. No mesmo hospital, médicos mantêm internada em estado grave uma idosa francesa que estava a bordo do navio onde ocorreu o surto.
Apesar da preocupação, o governo francês afirma que o cenário atual não se compara à pandemia de Covid-19. Ainda assim, o país decidiu reforçar os protocolos preventivos e revisar sua estrutura de emergência.
Além disso, a França informou possuir estoque de máscaras suficiente para pelo menos três meses. O governo também destacou capacidade anual de produção entre 2,6 e 3,5 bilhões de unidades.
OMS descarta cenário semelhante ao da Covid-19
A pesquisadora-chefe da OMS, Sylvie Briand, afirmou que o hantavírus apresenta comportamento diferente do coronavírus. Segundo ela, o surto ocorreu em uma situação específica, dentro de um navio de cruzeiro, ambiente que favorece contato próximo entre passageiros.
Além disso, a especialista lembrou que as autoridades sanitárias já conhecem o hantavírus há anos. Por isso, os órgãos de saúde possuem informações mais consolidadas sobre transmissão e contenção.
Casal holandês passou por região endêmica
As investigações apontam o holandês Leo Schipelroord, de 70 anos, como paciente zero do surto. Ele morreu dez dias após embarcar no cruzeiro em Ushuaia, na Argentina.
A esposa dele também contraiu a doença e morreu posteriormente na África do Sul. Antes da viagem, o casal percorreu regiões argentinas consideradas endêmicas para hantavírus, incluindo a província de Salta.
Além disso, autoridades sanitárias lembraram um episódio registrado em 2018 na cidade argentina de Epuyén. Na ocasião, uma única pessoa contaminou outras cinco durante uma festa de aniversário. Depois da adoção do isolamento dos pacientes, a taxa de transmissão caiu mais de 50%, segundo estudos locais.






