SAÚDE

Casos respiratórios em crianças explodem com frio em Marília

Atendimentos pediátricos por sintomas respiratórios nas UPAs da cidade quadruplicam entre janeiro e maio
Davidyson Damasceno/Iges-DF
Davidyson Damasceno/Iges-DF

A tosse que insiste em aparecer à noite, a febre que vai e volta e o nariz sempre escorrendo viraram cenário comum em muitas casas de Marília nas últimas semanas. Por trás desses relatos, há um dado concreto: os atendimentos por doenças respiratórias em crianças dispararam nas unidades de saúde do município, justamente na virada para o período mais frio e úmido do ano.

Os números da Associação Beneficente Hospital Universitário (ABHU), que administra as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) das zonas norte e sul, ajudam a dimensionar o quadro. Entre janeiro e maio, as duas unidades somaram 6.074 atendimentos pediátricos ligados a sintomas respiratórios — 3.474 na UPA norte e 2.600 na UPA sul.

Alta contínua e expressiva nas UPAs

O aumento não foi pontual: ele veio mês a mês.

  • Na UPA norte, os registros passaram de 251 atendimentos em janeiro para 1.201 em maio.
  • Na UPA sul, o salto foi de 177 para 860 casos no mesmo intervalo.

Quando se compara janeiro com maio, o crescimento chega a cerca de 378% na UPA norte e 386% na UPA sul. Maio concentrou, sozinho, o maior volume de atendimentos nas duas portas de entrada pediátricas, acendendo o alerta entre equipes e gestores da saúde.

Tempo frio, ar parado e vírus em circulação

Esse comportamento, embora preocupante, não surpreende os especialistas. Nos meses mais frios, é comum que as pessoas fechem portas e janelas e passem mais tempo em ambientes pouco ventilados. Esse hábito, somado ao frio, cria o cenário ideal para a circulação de vírus respiratórios.

Entre os agentes que mais costumam aparecer nessa época estão:

  • o vírus influenza, causador da gripe;
  • o vírus sincicial respiratório (VSR), frequentemente associado a bronquiolites;
  • os rinovírus, ligados a resfriados;
  • além de outros vírus que provocam infecções nas vias aéreas.

As crianças menores de cinco anos sentem esse impacto de forma mais intensa. O sistema imunológico ainda em formação e a convivência diária em escolas e creches — com contato próximo e compartilhamento de brinquedos — facilitam a transmissão. Por isso, quadros de gripe, resfriados, bronquiolite, crises de asma, sinusite e pneumonia se tornam motivos frequentes de busca por atendimento pediátrico durante o outono e o inverno.

🌧️ Como o clima dos próximos dias entra nessa conta

O comportamento do clima ajuda a explicar, em parte, essa onda de atendimentos — e também indica que o cuidado precisa continuar redobrado. Em Marília, o próximo período será de frio, muita umidade e chuva fraca, combinação que costuma favorecer a circulação de vírus respiratórios e manter os ambientes mais fechados.

Previsão para Marília e região

  • Hoje (14/06): 🌧️ chuva fraca, entre 16°C e 20°C; umidade alta e sensação térmica mais baixa (agora faz 18°C, com sensação de 13°C e umidade de 96%).
  • Amanhã (15/06): 🌧️ chuva fraca ao longo do dia, com temperaturas entre 17°C e 20°C.
  • Terça (16/06): 🌧️ chuva fraca nas proximidades, mantendo a faixa de 16°C a 20°C.

Com esse padrão de tempo mais fechado e úmido, a tendência é que famílias mantenham janelas fechadas e passem mais tempo em locais pouco ventilados, o que facilita o contágio entre as crianças. Por isso, além do atendimento médico, a prevenção dentro de casa ganha ainda mais importância nesse período.

Quando o quadro deixa de ser “apenas uma gripe”

A maioria das infecções respiratórias em crianças evolui bem com acompanhamento, hidratação e as orientações do pediatra. Ainda assim, há sinais que não podem ser ignorados e que exigem avaliação rápida em serviço de saúde. Entre eles:

  • dificuldade para respirar ou esforço visível para puxar o ar;
  • respiração muito acelerada;
  • chiado forte no peito;
  • febre persistente, que não melhora ou volta sempre após a medicação;
  • sono excessivo, moleza ou dificuldade para acordar;
  • recusa em tomar líquidos ou mamar;
  • sinais de desidratação, como boca seca, pouca urina ou ausência de lágrimas ao chorar.

No caso de bebês e crianças menores, qualquer piora rápida, mudança brusca no comportamento ou dificuldade para respirar deve ser motivo para buscar ajuda médica imediata.

O que as famílias podem fazer em casa

Enquanto os números sobem nas UPAs, algumas atitudes diárias ajudam a frear a circulação dos vírus e a proteger principalmente os pequenos. Entre elas:

  • manter ambientes ventilados, abrindo janelas sempre que possível, mesmo no frio;
  • incentivar a higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel;
  • evitar que a criança tenha contato próximo com pessoas gripadas;
  • não enviar para a escola ou creche quando estiver com febre ou muito abatida;
  • manter o esquema vacinal em dia, com atenção especial à vacina contra a gripe.

A enfermeira Camila Paris, responsável pela Sala de Vacinas da Secretaria Municipal da Saúde, reforça o papel da imunização:

“A vacina é gratuita, segura e salva vidas. Reforçamos também a importância da vacinação dos grupos prioritários, que apresentam maior risco de complicações”, destacou.

A secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, faz o mesmo apelo:

“A vacina é totalmente segura e é a forma mais eficaz de prevenir complicações da gripe, protegendo individualmente e reduzindo a circulação do vírus no inverno. Peço para que as pessoas tomem a vacina e procurem as nossas equipes de imunização”, afirmou.

Com o frio úmido dos próximos dias e a previsão de manutenção desse cenário, a combinação entre atenção aos sintomas, ambientes mais arejados, hábitos de higiene e vacinação se torna fundamental para atravessar a temporada de doenças respiratórias em crianças com menos sustos — tanto para as famílias quanto para a rede de saúde de Marília.

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