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Polícia indicia 12 por desvio em Escola Técnica Estadual

Aparelhos doados pela Receita Federal foram vendidos ilegalmente na região de Lins e inquérito aponta fraude documental

Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil
Carcará

Doze pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil após o término das investigações sobre o desvio de 150 smartphones e 120 relógios do tipo smartwatch. Os eletrônicos tinham como destino original uma doação para a Escola Técnica Estadual (Etec) de Lins.

Os trabalhos do Centro de Inteligência Policial (CIP) da Delegacia Seccional começaram ao detectarem a venda ilegal da mercadoria na região. Esse pacote, que ainda continha pen drives, foi entregue pela Receita Federal em 10 de outubro de 2025.

O rastreio dos telefones ativos só foi possível porque as autoridades cruzaram os códigos identificadores (Imei) nos sistemas das operadoras de telefonia.

Buscas e apreensões

Uma operação deflagrada em 7 de janeiro de 2026 conseguiu reaver parte dos itens. As ações ocorreram simultaneamente nas cidades de Lins, José Bonifácio, Lourdes, Mirassol, Promissão e Ubarana.

O dono de um comércio em Ubarana acabou preso em flagrante com 27 celulares expostos na loja. A detenção aconteceu porque uma das caixas ainda ostentava a etiqueta “Doado pela Receita Federal”.

Os policiais também realizaram recolhimentos dentro do próprio colégio. No prédio da Escola Técnica Estadual, 29 celulares e 74 relógios continuavam retidos.

Valores e fraude processual

Lotes inteiros acabaram comercializados com um empresário de Promissão, custando R$ 1.000 a unidade. Recibos anexados ao processo comprovam transferências de R$ 73 mil para uma conta pessoal.

Uma fase das investigações no fim de fevereiro revelou indícios de fraude em documentos oficiais da Escola Técnica Estadual.

Peritos descobriram que uma ata de reunião registrada com a data de 13 de outubro de 2025 foi forjada meses depois. A criação do arquivo digital no servidor ocorreu apenas em 20 de janeiro de 2026.

Esse foi exatamente o mesmo dia em que funcionários prestavam esclarecimentos durante uma sindicância interna do órgão.

Suspeitas não confirmadas

Intermediários e adquirentes delataram o ex-superintendente de Ensino Técnico da Etec como o fornecedor primário dos aparelhos.

Na versão do investigado, a direção do colégio autorizou as vendas. O pretexto seria custear despesas do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Ceetps).

Relatório final e compartilhamento

Assinado em 28 de agosto de 2026 pelo delegado Lucas Piovesan Rodrigues, o documento final responsabiliza a quadrilha por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica.

Os alvos respondem ainda por fraude processual, sumiço de registros públicos, receptação qualificada e crimes tributários.

A polícia pediu o repasse integral das provas à Justiça e ao Ministério Público do Estado de São Paulo, encarregado de apurar a improbidade administrativa.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também receberão os autos.

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