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El Niño 2026 pode ser o mais forte desde 1950

Kelly Rosa Baptista
Kelly Rosa Baptista
JGL

O El Niño 2026 pode ser um dos mais fortes já registrados no século. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da NOAA, dos Estados Unidos, há 81% de chance de o fenômeno chegar à categoria “muito forte” entre outubro e dezembro. Assim, o evento entraria entre os mais intensos desde 1950.

Além dos modelos climáticos, os meteorologistas notaram um forte acoplamento entre a atmosfera e o Oceano Pacífico. Portanto, cresce a chance de o fenômeno seguir ativo até o início de 2027.

No Brasil, os efeitos já começam a aparecer. Além disso, devem se intensificar no segundo semestre. A previsão mostra um país dividido. De um lado, o Centro-Sul terá excesso de chuva. De outro, o Centro-Norte enfrentará calor intenso, seca e queimadas.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles fazem um alerta. Segundo eles, este pode ser um evento diferente dos anteriores. Os oceanos estão mais quentes do que no passado. Portanto, a atmosfera ganha mais energia e umidade. Assim, o cenário favorece fenômenos extremos.

A meteorologista Estael Sias, da MetSul, reforça o tom. “Pode ser um El Niño histórico, em um nível de intensidade nunca registrado. Mais temperatura significa mais energia na atmosfera, o que aumenta tanto o risco de secas e ondas de calor recordes quanto de chuvas intensas, enchentes, alagamentos e tempestades severas. Nunca trabalhamos com um El Niño da intensidade que os modelos estão indicando”, afirma.

Chuva e risco de enchentes no Sul

A maior preocupação está na Região Sul. A previsão é de chuva acima da média nos próximos meses. O cenário vale especialmente para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além disso, o excesso de chuva eleva o risco de enchentes, inundações, deslizamentos e alagamentos.

Segundo Estael, a primavera deve trazer mais tempestades severas. Elas viriam acompanhadas de vendavais e granizo. Além disso, cresce a chance de fenômenos raros. Entre eles estão microexplosões atmosféricas e tornados. O risco se concentra no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e na metade sul de São Paulo.

O primeiro boletim oficial sobre o El Niño 2026/2027 confirma o alerta. Ele foi elaborado por órgãos como Inpe, Inmet, Cemaden, ANA e Defesa Civil Nacional. Segundo o documento, o aumento da umidade do solo deixa a região mais vulnerável. Assim, chuvas intensas na primavera podem gerar novas enchentes.

A lembrança das enchentes históricas de 2024, no Rio Grande do Sul, reforça a preocupação. Segundo Estael Sias, o El Niño costuma causar seus maiores impactos no Sul entre o fim do inverno e a primavera. Depois, o efeito volta no outono do ano seguinte. Portanto, novas ondas de chuva intensa também podem ocorrer em 2027.

Calor, queimadas e impacto no campo no Centro-Norte

Enquanto o Sul tem água demais, o Norte e o Nordeste vivem o oposto. A previsão indica menos chuva a partir de agosto. Além disso, as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o segundo semestre.

As ondas de calor podem se tornar persistentes entre outubro e dezembro. Em várias áreas do Centro-Norte, os termômetros devem chegar perto ou passar dos 40°C. O boletim federal também prevê chuva abaixo da média no Norte, no Nordeste e em parte do Centro-Oeste. Portanto, o cenário favorece queimadas, incêndios florestais e falta de água.

Segundo o Cemaden, o trimestre de julho a setembro concentra o maior risco de fogo. As áreas críticas ficam no Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia. Entre elas estão Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e a região do Matopiba. O Matopiba reúne partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nesses locais, a seca prolongada, o calor e a vegetação seca aumentam a propagação das chamas.

Os impactos também chegam ao campo, segundo o Painel El Niño 2026-2027, do governo federal. No Sul, mais chuva pode ajudar as culturas de inverno. No entanto, o excesso de umidade favorece doenças por fungos. No Centro-Oeste, o clima tende a beneficiar o milho de segunda safra, o algodão e a cana. Por outro lado, o calor reduz a umidade do solo, prejudica pastagens e dificulta a próxima safra.

Já no Sudeste, as chuvas perto da média devem ajudar as culturas de inverno e a colheita do café. Para isso, as chuvas precisam voltar após o período seco. Os maiores desafios ficam no Norte e no Nordeste. Ali, a pouca chuva e o calor podem causar deficiência hídrica, reduzir a produtividade e afetar a agricultura familiar e a pecuária.

Diante das previsões, especialistas pedem preparação. Eles defendem que estados e municípios reforcem os planos de contingência. O boletim federal recomenda revisar planos de emergência e fortalecer o monitoramento e os alertas. Além disso, orienta preparar as comunidades mais vulneráveis. Por fim, a população deve acompanhar os avisos da Defesa Civil e manter o cadastro atualizado para receber alertas.

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