ECONOMIA

EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Medida pode entrar em vigor em julho e faz parte de investigação comercial iniciada pelo governo norte-americano
Alex Brandon/AP Photo
Alex Brandon/AP Photo

O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida ainda depende da conclusão de etapas administrativas. No entanto, poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho de 2026.

A proposta surgiu após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo o órgão, algumas políticas adotadas pelo Brasil criam obstáculos ao comércio norte-americano e prejudicam empresas dos Estados Unidos.

Produtos estratégicos ficam fora da lista

Apesar da proposta, o governo norte-americano decidiu excluir diversos produtos considerados estratégicos. Entre eles estão a carne bovina, o café, terras raras, determinados metais e minérios, além de aeronaves e peças fabricadas no Brasil.

Além disso, a lista de exceções inclui petróleo bruto e derivados, fertilizantes, compostos farmacêuticos, produtos químicos orgânicos, frutas e nozes.

De acordo com o USTR, a exclusão desses itens busca evitar impactos econômicos mais amplos. Dessa forma, os Estados Unidos tentam reduzir riscos de desabastecimento e minimizar efeitos sobre setores considerados essenciais.

Pix, etanol e desmatamento entraram na análise

A investigação utilizou como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, criada em 1974.

Durante o processo, técnicos analisaram áreas como comércio digital, sistemas de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

Segundo o USTR, esses temas afetam empresas e exportadores norte-americanos. Por isso, o órgão iniciou uma consulta pública para discutir possíveis medidas corretivas.

Consulta pública segue até julho

O governo dos Estados Unidos receberá comentários e manifestações públicas até 1º de julho. Em seguida, realizará uma audiência pública em 6 de julho.

Enquanto isso, representantes dos dois países mantêm negociações para tentar reduzir as divergências apontadas pela investigação. Assim, a decisão final dependerá dos resultados desse diálogo.

Ao longo da apuração, o USTR ouviu mais de 30 testemunhas e recebeu quase 300 manifestações sobre o caso.

Representante dos EUA cita divergências

Segundo o embaixador norte-americano Jamieson Greer, o presidente Donald Trump solicitou a abertura da investigação após demonstrar preocupação com práticas comerciais brasileiras.

Greer afirmou que realizou diversas reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo brasileiro ao longo do último ano. Ainda assim, ele destacou que os dois países mantêm diferenças significativas sobre os temas investigados.

Por fim, o representante comercial afirmou que espera avançar nas negociações antes do prazo final previsto para a possível adoção das tarifas, marcado para 15 de julho de 2026.

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