O governo dos Estados Unidos considera que as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) representam uma ameaça à segurança regional. A avaliação ocorre por causa da atuação dos grupos no tráfico de drogas, na violência e em crimes transnacionais.
A informação foi confirmada por um porta-voz do Departamento de Estado, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores. Apesar disso, o governo americano ainda não confirmou se pretende classificar as facções como organizações terroristas.
Segundo reportagem do UOL, Washington já teria tomado essa decisão. No entanto, em nota enviada à imprensa, o Departamento de Estado afirmou que não antecipa possíveis classificações desse tipo.
“Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”, informou o órgão.
Governo brasileiro tenta evitar classificação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para evitar que as facções recebam essa classificação.
De acordo com uma autoridade brasileira ouvida pela Folha de S.Paulo, representantes do governo americano estiveram no Brasil no ano passado para coletar informações sobre os grupos criminosos.
Segundo o relato, os americanos solicitaram dados sobre a estrutura e o funcionamento das facções.
Presença de integrantes nos Estados Unidos
Diplomatas brasileiros afirmam que existem integrantes dessas organizações em território americano. Ainda assim, a principal atividade identificada seria a lavagem de dinheiro, embora também haja registros de tráfico de drogas.
Os estados da Flórida e Massachusetts concentram a maior presença de membros das duas facções. Essas regiões também possuem grande comunidade brasileira.
Impacto prático seria limitado
Para especialistas em segurança internacional, a eventual classificação como organização terrorista teria impacto limitado.
Douglas Farah, especialista em crime transnacional e ex-assessor do Departamento de Estado, afirma que a medida ampliaria principalmente instrumentos legais e de inteligência das autoridades americanas.
Esses recursos incluem monitoramento financeiro, rastreamento de integrantes e aplicação de sanções.
Segundo ele, PCC e Comando Vermelho atuam principalmente dentro da lógica do crime organizado e não têm como objetivo central realizar ataques políticos ou terroristas.
Além disso, qualquer operação americana em território brasileiro dependeria da autorização do governo do Brasil.






