A Fundação Oswaldo Cruz anunciou neste sábado (23) um avanço histórico para o tratamento do câncer no Brasil. A instituição lançou um centro que permitirá a produção nacional da terapia CAR-T, considerada uma das tecnologias mais modernas da oncologia.
Com a novidade, o Sistema Único de Saúde poderá ampliar o acesso gratuito a tratamentos usados contra leucemia, linfoma e mieloma. Além disso, a fabricação nacional deve reduzir custos e diminuir a dependência de produtos importados. Dessa maneira, pacientes brasileiros terão mais chances de acesso ao tratamento.
Hoje, esse tipo de terapia pode custar milhões de reais fora do país. Ainda assim, a proposta da Fiocruz busca tornar o tratamento mais acessível para a população. Ao mesmo tempo, o projeto fortalece a produção científica nacional.
Tecnologia reprograma células do paciente
A terapia CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente no combate ao câncer. Primeiro, médicos retiram essas células do organismo. Depois, especialistas modificam o material geneticamente em laboratório.
Na sequência, os profissionais devolvem as células ao paciente já preparadas para identificar e atacar o tumor. Dessa forma, o organismo passa a reagir de maneira mais eficiente contra a doença.
Segundo a Fiocruz, o Brasil está entre os poucos países capazes de desenvolver essa tecnologia dentro de instituições públicas. Além disso, o tratamento poderá ser oferecido gratuitamente pelo SUS. Com isso, o país amplia a autonomia na área da saúde.
O projeto integra o Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, ligado ao Novo PAC. Até agora, o programa já recebeu R$ 330 milhões em investimentos.
Paciente relata cura após tratamento
Durante o lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou Paulo Peregrino, paciente que venceu o câncer após passar por tratamento semelhante no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Segundo Paulo, o tratamento custaria cerca de R$ 2 milhões na rede privada. Como não tinha condições financeiras, ele participou de uma pesquisa conduzida pela USP em parceria com o Instituto Butantã.
Na época, ele já havia tentado outros tratamentos. Mesmo assim, o quadro de saúde continuava grave. Por isso, a terapia representou uma nova chance de sobrevivência.
“O fato de eu ter essa chance foi Deus e a ciência”, afirmou após a cerimônia.
Novo centro amplia pesquisas para o SUS
Além do espaço voltado à terapia CAR-T, a Fiocruz também inaugurou uma nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde. O local vai acelerar pesquisas ligadas a vacinas, medicamentos, biofármacos e diagnósticos.
A estrutura recebeu investimentos de R$ 370 milhões. Com isso, a fundação pretende fortalecer a inovação nacional e ampliar a autonomia do SUS na produção de tecnologias em saúde. Além disso, o novo espaço deve acelerar pesquisas estratégicas para o país.






