O Ministério Público de São Paulo pediu que a Justiça leve os irmãos Marcelo Alves da Costa e Marcos Alves da Costa a júri popular pelo assassinato do empresário Rafael Francisco Alves Ferreira. O crime ocorreu em janeiro de 2026 e ganhou repercussão após o corpo da vítima aparecer carbonizado dentro de um Porsche Macan em uma estrada rural de Pompeia.
Nas alegações finais, o promotor André Ferraz de Assis Pinto afirmou que há provas suficientes para submeter o caso ao Tribunal do Júri. Marcelo responde por homicídio qualificado, furto, destruição de cadáver com uso de fogo e fraude processual. Marcos responde pelos mesmos crimes, com exceção do furto.
Durante os interrogatórios, os irmãos confessaram o crime, mas alegaram legítima defesa. Marcelo afirmou que Rafael fazia cobranças relacionadas a empréstimos com juros abusivos e mantinha ameaças frequentes.
Segundo a versão apresentada pela defesa, Rafael invadiu o banheiro da oficina de trailers no Jardim Aquarius, em Marília, e segurou Marcelo pelo pescoço. Em seguida, Marcos teria atingido o empresário com uma marreta.
Testemunha aponta ataque pelas costas
O Ministério Público contestou a versão dos acusados e destacou o depoimento de uma testemunha protegida. Segundo o relato, Marcos golpeou Rafael pelas costas com a marreta, fazendo a vítima cair imediatamente.
A testemunha afirmou ainda que Marcelo continuou as agressões quando Rafael já estava caído no chão e sem qualquer possibilidade de reação.
Por isso, o MP sustentou que a tese de legítima defesa não justifica absolvição sumária nesta etapa do processo.
Investigação aponta tentativa de ocultar o crime
As investigações também indicaram que os irmãos tentaram esconder vestígios do assassinato. De acordo com o inquérito, eles usaram uma corda no pescoço da vítima, colocaram o corpo no banco traseiro do Porsche e limparam a oficina com água sanitária.
Para o Ministério Público, a ação caracteriza fraude processual.
Marcelo admitiu que dirigiu o veículo até uma estrada rural em Pompeia. Depois, utilizou gasolina e um isqueiro para incendiar o carro e o cadáver.
Joias da vítima foram encontradas escondidas
Antes de incendiar o Porsche, Marcelo retirou correntes e pulseiras de ouro usadas por Rafael. Segundo o acusado, ele pretendia vender os objetos para compensar prejuízos financeiros.
A polícia encontrou as joias escondidas sob um colchão na casa do investigado.
Os laudos periciais apontaram traumatismo craniano seguido de carbonização generalizada. Além disso, exames no local do crime e depoimentos reunidos pela polícia reforçaram os indícios de autoria.
Agora, o juiz da 3ª Vara Criminal de Marília decidirá se os irmãos irão a julgamento pelo Tribunal do Júri.






