A Uefa reafirmou nesta quinta-feira (6) que mantém o boicote à Fifa, mesmo depois da entidade máxima do futebol mundial pedir desculpas formais aos seus 211 membros por uma polêmica proposta de venda comercial da Copa do Mundo. O gesto de conciliação da Fifa, no entanto, não parece suficiente para encerrar a maior crise do mandato de Gianni Infantino.
Tudo começou quando federações nacionais reclamaram de terem sido excluídas das discussões sobre o plano, que acabou abandonado. Na quarta-feira (5), a cúpula da Fifa se reuniu em Rabat, no Marrocos, para reafirmar publicamente seu apoio a Infantino. No dia seguinte, veio o comunicado reconhecendo que a proposta “deveria ter sido tratada de maneira diferente” e que não havia intenção de deixar o Conselho da Fifa ou as federações de fora do processo.
Fifa promete revisão, mas Uefa não recua
Diante da repercussão negativa, a Fifa se comprometeu a rever os processos que geraram a controvérsia. Um relatório sobre essa revisão deve ser apresentado na próxima reunião do Conselho. Ainda assim, o tom mais brando da Fifa contrasta com críticas que só cresceram nas últimas semanas — e que forçaram a entidade a recuar do plano original.
A Uefa, por sua vez, não deu sinais de amolecer. Segundo o órgão que comanda o futebol europeu, duas condições precisavam ser cumpridas para que a Uefa voltasse a participar das competições da Fifa normalmente: a retirada definitiva das propostas de venda das principais competições e a garantia de que tentativas semelhantes de “desfigurar o esporte” não se repetissem. A entidade europeia foi direta ao afirmar que “perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino” e reforçou que essa posição “permanece”. Para a Uefa, o apoio de funcionários da Fifa a Infantino não muda nada, já que, segundo o comunicado, essas mesmas pessoas têm carreiras que “dependem de seu favor”.
Até o momento, não está claro se a Uefa vai orientar suas seleções a boicotar o próximo evento oficial da Fifa, a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para o mês que vem na Polônia. A Federação Polonesa de Futebol foi procurada, mas ainda não respondeu aos questionamentos.
Conmebol cobra respeito às regras institucionais
Na América do Sul, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também demonstrou desconforto com o episódio. A entidade criticou o que chamou de “repetidas ações unilaterais tomadas sem recorrer ao diálogo” e destacou a importância das reformas institucionais implementadas pela Fifa há mais de dez anos para reforçar a transparência.
O Conselho da Conmebol lembrou ainda que as indicações para a presidência da Fifa se encerram em 18 de novembro, sendo o Congresso da Fifa o responsável por eleger o próximo presidente. Por isso, a entidade afirmou que “não apoiará nenhuma ação ou procedimento que ignore ou se desvie desses mecanismos institucionais”, pedindo unidade e responsabilidade dentro do futebol mundial. Resta saber se as reformas prometidas pela Fifa vão de fato se concretizar antes da eleição presidencial da entidade, prevista para 2027.




