SAÚDE PÚBLICA

Hospitais privados poderão abater dívidas com SUS em troca de atendimento especializado

Programa do governo busca reduzir filas de cirurgias e exames com incentivo tributário
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Hospitais privados e filantrópicos poderão abater dívidas com a União ao oferecer atendimento especializado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A nova estratégia foi anunciada nesta terça-feira (24) pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda), como parte do programa Agora Tem Especialistas, relançado recentemente pelo governo federal.

Além das instituições que possuem débitos tributários, outras que estejam regulares com o Fisco também poderão aderir à iniciativa. Nesse caso, os hospitais receberão créditos tributários válidos para descontos futuros em impostos federais.

Redução de filas e foco em especialidades médicas

Com o objetivo de reduzir a fila de espera por consultas, exames e cirurgias, o programa prevê os primeiros atendimentos a partir de agosto. O foco será em áreas com alta demanda no SUS, como oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, totalizando cerca de 1,3 mil tipos de procedimentos.

Como funcionará a adesão ao programa

As instituições interessadas deverão formalizar adesão junto ao Ministério da Fazenda, via programa de transação tributária. Em seguida, o Ministério da Saúde avaliará e aprovará a proposta, considerando a demanda e a capacidade da unidade.

Além disso, a pasta da Saúde será responsável por monitorar os atendimentos, validar a execução e conceder o certificado para o uso do crédito tributário.

Os valores previstos pela medida são expressivos:

  • Até R$ 2 bilhões por ano em abatimentos de dívidas
  • Até R$ 750 milhões em créditos tributários para impostos

A regulamentação da ação será oficializada por meio de uma portaria conjunta, a ser publicada no Diário Oficial da União.

Controle e transparência na execução

O governo promete criar um painel unificado de monitoramento com dados detalhados da execução do programa. A plataforma reunirá informações das redes privada, pública e filantrópica, sendo alimentada por todos os entes participantes.

O ministro Padilha comparou o modelo ao Prouni, destacando o uso de estruturas privadas para atender a demandas sociais urgentes. “É uma forma de transformar dívidas não pagas em cuidados reais para a população”, afirmou.

Já o ministro Fernando Haddad destacou o impacto fiscal da medida. Segundo ele, 3.537 instituições podem aderir, totalizando R$ 34,1 bilhões em dívidas ativas. “São entidades históricas que enfrentam dificuldades financeiras. Com esse programa, criamos uma solução sustentável”, concluiu.

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