A ameaça de paralisação da neurocirurgia da Santa Casa de Marília provocou uma reação urgente do Governo do Estado e da Prefeitura. Depois de dias de pressão e alerta sobre a falta de recursos, representantes das duas esferas anunciaram nesta terça-feira (19) um acordo para manter o serviço funcionando.
A reunião aconteceu na sede da Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo. Participaram do encontro o prefeito Vinicius Camarinha (PSDB), a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva e representantes da direção da Santa Casa.
Após o encontro, o Governo paulista informou que encontrou uma “solução imediata” para impedir a interrupção da neurocirurgia, considerada estratégica para toda a região.
Segundo o acordo, a Prefeitura de Marília fará aportes financeiros para cobrir parte dos custos do serviço. Enquanto isso, o Estado continuará realizando repasses por meio da Tabela SUS Paulista.
Mesmo assim, os envolvidos ainda não divulgaram os valores que o município deverá investir nem o prazo do novo modelo de financiamento.
Santa Casa revelou déficit e risco de interrupção
A crise ganhou força depois que a Santa Casa revelou um déficit mensal de aproximadamente R$ 250 mil no setor de neurocirurgia.
Além disso, o superintendente do hospital, Márcio Mielo, afirmou que a instituição já enfrentava dificuldades para garantir o pagamento da equipe especializada nos próximos meses.
Atualmente, a Santa Casa atende pacientes de 62 cidades da região em casos graves e considerados tempo-dependentes. Entre eles estão AVC hemorrágico, aneurisma rompido, traumatismos cranianos e tumores cerebrais.
Ao mesmo tempo, o hospital passou a concentrar praticamente toda a demanda regional da especialidade após a redução do atendimento integral realizado pelo Hospital das Clínicas (HC).
Prefeito garante continuidade do serviço
Depois da reunião em São Paulo, Vinicius Camarinha afirmou que “o problema está resolvido” e garantiu a manutenção dos atendimentos.
“Vamos fazer o que precisa ser feito porque a nossa população já sofreu muito e estamos nesse processo de recuperação dos serviços do nosso município”, declarou.
Além disso, o prefeito afirmou que a administração municipal não aceitará o fechamento de serviços de saúde em Marília, mesmo quando houver responsabilidade compartilhada com o Governo do Estado.
Estado também avalia ampliar hemodiálise
Durante o encontro, representantes estaduais também discutiram a ampliação do setor de hemodiálise da Santa Casa.
A proposta prevê a implantação de 25 novas cadeiras. Dessa forma, o hospital poderá ampliar em cerca de 150 pacientes a capacidade regional de atendimento.
Ainda segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a Santa Casa de Marília já recebeu R$ 70,4 milhões extras desde 2024 por meio da Tabela SUS Paulista.
O programa complementa os valores pagos pelo SUS federal e, em alguns procedimentos, chega a pagar até cinco vezes mais que a tabela nacional.






