Uma denúncia registrada em abril por uma funcionária de escola em Vera Cruz resultou, quase três meses depois, na abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD) contra um inspetor de alunos de 57 anos. Ele responde por supostos atos obscenos e importunação sexual cometidos durante o expediente em uma Emef do município. A portaria foi publicada no Diário Oficial em 29 de junho de 2026.
O caso já tramitava na esfera criminal antes de chegar à administração municipal. A denúncia deu origem a um inquérito policial na delegacia da cidade, e o inspetor acabou transferido da unidade escolar em 6 de maio, assim que as acusações vieram à tona.
O foco da apuração interna
Uma comissão processante ficará responsável por investigar possíveis irregularidades funcionais graves atribuídas ao servidor. O trabalho consiste em verificar se houve descumprimento de deveres estatutários e violação às proibições do regime jurídico dos servidores municipais — enquadramento previsto nos artigos 158 e 159 da Lei Municipal nº 2.009/1992.
Como a denúncia começou
Quem procurou a polícia foi uma cuidadora que atua no atendimento a alunos com transtorno do espectro autista (TEA) na escola. Segundo o boletim de ocorrência, tudo começou no refeitório, onde o inspetor a teria abordado de forma desrespeitosa, expondo dados pessoais dela e ofendendo sua irmã na frente de outras pessoas. A partir daí, segundo o relato, as hostilidades se intensificaram — incluindo xingamentos públicos e o apelido depreciativo de “linguaruda”.
Um padrão de comportamento, segundo a denúncia
O relato da cuidadora não descreve um episódio isolado. Durante os intervalos escolares, ela afirma que o inspetor passou a se aproximar fisicamente dela e de colegas de trabalho, ficando posicionado de forma incomodamente próxima. Em determinado momento, segundo seu depoimento, ele teria chegado a exibir os órgãos genitais em áreas comuns da escola.
A denúncia também aponta uso do celular durante o horário de trabalho para assistir a conteúdo pornográfico, com a tela do aparelho supostamente direcionada às funcionárias no refeitório.
Segundo a cuidadora, ao menos três outras servidoras presenciaram cenas parecidas, e o clima entre as trabalhadoras da unidade passou a ser de medo e desconforto constante.
O que pode acontecer com o servidor
Agora sob investigação administrativa, o inspetor terá a chance de se defender das acusações. Se as irregularidades forem confirmadas ao final do processo, ele pode sofrer sanções previstas na legislação municipal — inclusive a demissão.



