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Fome global cai para 645 milhões de pessoas em 2025

Albert Gonzalez Farran/FAO
Albert Gonzalez Farran/FAO
JGL

A fome global caiu pelo terceiro ano consecutivo e atingiu 645 milhões de pessoas em 2025. O número representa uma redução de quase 14 milhões de pessoas em relação a 2024.

Além disso, o resultado mostra uma queda de 43 milhões de pessoas quando a comparação é feita com 2022. Os dados aparecem no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI).

O estudo foi produzido pela FAO, Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Segundo o levantamento, 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025. O índice ficou abaixo dos 8,1% registrados em 2024.

Relatório aponta diferenças entre continentes

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, em Roma, na Itália.

Na ocasião, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que o mundo precisa acelerar as ações contra a fome. Além disso, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que o problema pode ser evitado.

Segundo ela, governos que priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade conseguem alcançar avanços concretos.

O relatório também aponta redução no número de pessoas em insegurança alimentar moderada ou severa. Essa situação ocorre quando a população não consegue consumir alimentos suficientes ou tem acesso a uma alimentação com baixa qualidade nutricional.

A FAO estima que 25,8% da população mundial, cerca de 2,1 bilhões de pessoas, viviam nessa condição em 2025. O percentual caiu em comparação com 27,1% em 2024 e 28,7% em 2020.

No entanto, a situação continua desigual entre as regiões. A África concentra o maior número absoluto de pessoas com fome, em um cenário de crescimento populacional acelerado.

O relatório estima que uma em cada cinco pessoas na África enfrentou fome em 2025. O número representa cerca de 309 milhões de pessoas.

Em contrapartida, Ásia, América Latina e Caribe apresentaram melhorias graduais nos últimos três anos.

A insegurança alimentar moderada ou severa atingiu 56,6% da população africana em 2025. Já na América Latina e Caribe, o índice ficou em 22,9%.

Além disso, a condição alcançou 20,3% da população asiática e 8,7% dos moradores da América do Norte e Europa.

Custos dificultam acesso à alimentação saudável

O levantamento também mostra que áreas rurais e periferias continuam mais afetadas pela insegurança alimentar. Além disso, mulheres seguem entre os grupos mais prejudicados.

Entre 2021 e 2025, apenas 62,7% das mulheres de 15 a 49 anos alcançaram a diversidade alimentar mínima para uma dieta saudável.

O relatório ainda aponta problemas na nutrição infantil. Apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses consomem uma alimentação minimamente diversificada.

Entre os alertas estão a desnutrição infantil grave, que ainda afeta 150 milhões de crianças menores de 5 anos. Além disso, a anemia entre mulheres em idade fértil continua crescendo.

A obesidade adulta também avançou. O índice passou de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024.

Apesar dos desafios, o estudo registra avanços no aleitamento materno exclusivo e na redução do atraso no crescimento infantil na África.

Outro ponto destacado é o custo da alimentação saudável. O número de pessoas que não conseguem pagar por uma dieta adequada caiu de 2,97 bilhões em 2021 para 2,69 bilhões em 2025.

Mesmo assim, a África apresentou o pior cenário, com 66,6% da população sem condições de bancar uma alimentação saudável.

A FAO calcula que o custo médio mundial de uma dieta saudável chegou a US$ 4,28 por pessoa por dia em 2025, considerando a paridade do poder de compra.

Portanto, os organismos internacionais defendem investimentos em infraestrutura, pesquisa, irrigação, cadeias de frio e políticas que reduzam custos na produção de alimentos.

O relatório também alerta para riscos futuros. Conflitos, eventos climáticos extremos e redução de financiamentos humanitários podem afetar o avanço contra a fome nos próximos anos.

Além disso, a FAO reforça a necessidade de fortalecer os sistemas agroalimentares em todo o mundo para proteger populações vulneráveis.

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