Quatro trabalhadores morreram atropelados por um trem expresso na estação Shin-Kanuma, na província de Tochigi, no Japão. A composição era o “Spacia X”, da linha Tobu Nikko. O trem tinha como destino a estação de Asakusa e chegava à plataforma no momento do choque. Nenhum passageiro nem tripulante se machucou.
O chamado de emergência saiu às 10h46 no horário local, feito por um funcionário da estação, que relatou “um acidente envolvendo um trem e uma pessoa”. Sete pessoas, no mínimo, cuidavam da retirada de vegetação naquele trecho.
Debaixo do trem ficaram presos três dos quatro trabalhadores atropelados. O hospital recebeu os quatro até as 11h50; os óbitos vieram a ser confirmados depois.
A falha de comunicação antes de os trabalhadores morrerem atropelados
Entre as linhas apuradas pela polícia está a de negligência profissional com resultado de morte. Três vigilantes cuidavam da área, com a função de avisar sobre trens que se aproximassem e conduzir a equipe a pontos seguros, segundo a Tobu Railway.
Uma falha de comunicação entre eles é admitida pela companhia. Pela hipótese em análise, o aviso de área livre teria chegado ao trem com gente ainda sobre os trilhos.
Quem conduzia a composição contou ter avançado no trecho depois de um dos vigilantes sinalizar que a retirada estava concluída. Os freios de emergência só foram puxados quando os quatro homens apareceram à frente.
Abaixo da plataforma era a posição dos quatro trabalhadores que morreram atropelados, conforme explicou Koichi Sato, diretor do Departamento de Instalações da empresa. Escaparam ilesos outros dois trabalhadores, além de um supervisor do serviço; dois deles estariam em cima da plataforma e um terceiro, mais à frente, disse o diretor. Havia ainda um vigia adiantado e outro intermediário, este a 315 metros do ponto da obra, acrescentou a empresa.
Advertência do governo
As regras internas mandam que a equipe enxergue o trem chegando a tempo de sair para um lugar protegido. São oito etapas a conferir antes e durante o trabalho, segundo a companhia. O cumprimento desses passos e o momento exato da falha estão sob apuração interna. O sinal de liberação realmente foi emitido, admite a empresa, que diz faltar confirmar os detalhes.
Uma advertência por escrito chegou à Tobu Railway na quinta-feira, enviada pelo Escritório Regional de Transportes de Kanto, ligado ao Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo. Mesmo com a Comissão de Segurança nos Transportes no caso, cabe à empresa apurar por conta própria, sustentou o órgão. No documento, o pedido é que a companhia investigue as causas, “incluindo fatores subjacentes”, e garanta a segurança ferroviária. Medidas contra a repetição do episódio foram cobradas com urgência pelo ministério.
Já na sexta-feira, o depósito de trens da empresa recebeu investigadores da Comissão de Segurança nos Transportes, enviados pelo mesmo ministério. A missão do grupo é descobrir o que provocou o acidente.
Condolências às vítimas e às famílias, além de um pedido de desculpas pelos transtornos, vieram de Takao Suzuki, diretor do Departamento de Operações Ferroviárias.
“Gostaríamos de expressar nossas mais sinceras condolências aos falecidos”, declarou.
A gravidade do episódio é levada “com máxima seriedade”, segundo ele, que prometeu esclarecer as causas e adotar medidas preventivas.
O trecho entre as estações Shin-Tochigi e Shimo-Imaichi ficou sem circulação nos dois sentidos. A retomada aconteceu às 15h22. Outras empresas ferroviárias ofereceram transporte alternativo no período parado.
A apuração das causas segue em duas frentes: a investigação da polícia e a da Comissão de Segurança nos Transportes, além do levantamento interno cobrado da própria concessionária pelo ministério.




