Ola · carregando... · --:-- · --° · localizando...
doe sangue

Cirurgias em Cuba travam com sanções dos EUA

Diplomata cubana denuncia represamento de atendimentos em meio ao bloqueio de combustível

Cirurgias em Cuba travam com sanções dos EUA
Norlys Perez/Reuters
JGL

A diplomata cubana Lianys Torres Rivera denunciou, em Washington, que mais de 100 mil pacientes aguardam cirurgias em Cuba em meio ao agravamento das sanções impostas pelos Estados Unidos. Segundo ela, o governo de Donald Trump recusa qualquer discussão sobre comércio ou diplomacia que possa aliviar o sofrimento da população, e “o canal de diálogo está completamente paralisado”.

Esse cenário, marcado pelo represamento de cirurgias em Cuba, coincide com um aumento registrado na mortalidade infantil e em mortes consideradas evitáveis na ilha. A representante cubana reforçou que sequer há consenso entre os dois países sobre uma pauta mínima de negociação.

Apesar do bloqueio ao fornecimento de combustível e das sanções contra empresas estrangeiras que operam em Cuba, Rivera sustentou que Havana busca manter boas relações com os EUA. Ela negou ainda que o país represente ameaça à segurança americana ou financie manifestações antiamericanas dentro e fora dos Estados Unidos.

“Cuba não é uma ameaça aos Estados Unidos. Cuba quer uma relação de respeito com os Estados Unidos, na qual possamos conversar sobre nossas prioridades comuns”, declarou a diplomata.

A resposta dos Estados Unidos

Do lado americano, um funcionário do governo classificou Cuba como um Estado falido e mal administrado há anos, atribuindo o entrave nas relações bilaterais a uma liderança que, segundo ele, governa a ilha em proveito próprio.

Segundo porta-voz do Departamento de Estado, Havana ainda não aceitou nenhuma medida capaz de beneficiar sua própria população, e Washington afirma que vai usar todos os instrumentos disponíveis para enfrentar ameaças à segurança e apoiar a recuperação do país.

Há mais de 67 anos no poder, a liderança comunista cubana é o alvo declarado de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio, que buscam tirá-la do comando do país. As opções militares perderam força na estratégia americana, que hoje aposta na ampliação gradual das sanções.

A captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado regional de Cuba, por comandos americanos em janeiro, interrompeu o fornecimento de combustível que a Venezuela mantinha com a ilha. Na sequência, Trump ameaçou aplicar tarifas punitivas a qualquer país que enviasse petróleo ao governo cubano.

Os efeitos da falta de combustível

Apenas um único navio-tanque russo conseguiu entregar combustível a Cuba nos últimos meses, cenário que tem levado os cortes de energia a durarem até 20 horas por dia — os Estados Unidos, no entanto, seguem autorizando remessas ao setor privado cubano, que vem crescendo.

“Que país consegue funcionar normalmente quando recebeu apenas uma remessa de combustível em 200 dias? Isso é punição coletiva. É uma guerra sem bombas”, declarou a diplomata.

Segundo Rivera, os apagões prolongados — agravados pelas restrições ao combustível — já deixam mais de 34 mil mulheres sem exames de ultrassom e mais de 3 mil pacientes sem conseguir realizar sessões de diálise, além das cirurgias já represadas em Cuba.

O Departamento de Estado informou que os EUA repassaram US$ 100 milhões em ajuda humanitária a Cuba, usando a Igreja Católica como intermediária, numa tentativa de conter uma crise que os próprios apagões — decorrentes da pressão americana — vêm agravando em hospitais, no saneamento, no abastecimento de água e na distribuição de alimentos.

Sinais de avanço chegaram a aparecer no início deste ano, quando autoridades dos dois países confirmaram conversas em curso — a equipe de Rubio chegou a se reunir com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro e ainda considerado o principal articulador do poder em Cuba.

Um total de 176 reformas voltadas ao livre mercado, anunciadas por Cuba no início do ano, ilustra a disposição declarada pelo país em promover mudanças econômicas — mas Havana mantém a posição de que o sistema de governo e a liderança política não entram em negociação.

Esse impasse é visto por Washington como o principal obstáculo, já que os EUA classificam o governo cubano como um regime autoritário. As eleições legislativas do país são restritas a candidatos do Partido Comunista, e opositores políticos podem enfrentar prisão, exílio ou punições ainda mais severas.

Para Torres Rivera, não é papel dos Estados Unidos validar o sistema político de outros países.

“Cuba tem seu próprio sistema democrático, escolhido pelos cubanos. Temos eleições a cada cinco anos, nas quais o povo vota e, diferentemente dos Estados Unidos, não é o dinheiro que decide quem é o melhor candidato”, concluiu a diplomata.

Acompanhe Gazeta da Cidade

Fique por dentro das principais notícias nas nossas redes:

Carcará