PARANÁ

CNJ arquiva ação contra juiz acusado de vender decisão

Corregedoria concluiu que não existem provas que liguem magistrado à suposta negociação denunciada por construtora do Paraná
Divulgação/TJ-PR
Divulgação/TJ-PR

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) arquivou a denúncia apresentada contra o desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). A acusação apontava que o magistrado teria recebido um quadriciclo em troca de uma decisão judicial.

A decisão partiu do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Além disso, o CNJ publicou o documento oficialmente no dia 3 de junho.

Segundo o órgão, as informações reunidas durante a análise não comprovaram qualquer participação do desembargador na suposta negociação. Por esse motivo, a Corregedoria decidiu encerrar o caso.

Construtora apresentou denúncia

A Construtora Zoller, de Curitiba, levou a acusação ao CNJ. De acordo com a empresa, o desembargador teria causado prejuízos ao reverter decisões colegiadas em um processo.

Para sustentar a denúncia, a construtora apresentou o depoimento do administrador da loja que vendeu o quadriciclo. Além disso, anexou uma nota fiscal emitida em nome do filho do magistrado.

A empresa também entregou uma fotografia publicada nas redes sociais. Na imagem, os netos do desembargador aparecem utilizando o veículo.

Com base nesses elementos, a construtora alegou que o quadriciclo teria servido como pagamento por uma decisão favorável.

Corregedor não viu indícios de irregularidade

No entanto, Mauro Campbell entendeu que os documentos apresentados não ligam diretamente o desembargador à compra do veículo.

Além disso, o corregedor destacou que nenhuma prova demonstrou o recebimento de vantagem indevida ou a participação do magistrado em qualquer acordo irregular.

Segundo a decisão, criar conclusões apenas com base em suposições não justifica a abertura de um procedimento disciplinar.

Por isso, o CNJ considerou insuficientes os elementos apresentados pela denunciante.

Pedido de afastamento também entrou no caso

Enquanto o processo ainda estava sob análise, a Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) pediu o afastamento cautelar do desembargador.

Segundo a entidade, a medida buscava preservar a confiança da população no Judiciário. Além disso, o pedido pretendia garantir a regularidade das apurações.

No entanto, o arquivamento da denúncia encerrou a análise disciplinar no CNJ.

Magistrado negou acusações

Por sua vez, Francisco Carlos Jorge negou qualquer irregularidade. Segundo ele, não existe prova que sustente as acusações.

Além disso, o desembargador afirmou que a denúncia surgiu após uma decisão que contrariou interesses de uma das partes envolvidas no processo.

Por fim, o magistrado criticou a tentativa de associar sua atuação judicial a um suposto benefício. Para ele, a acusação busca questionar o resultado obtido na Justiça por meios indiretos.

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