SAÚDE

Estudo em Botucatu testa polipílula contra AVC hemorrágico

Pesquisa da Unesp integra ensaio internacional e aponta queda de 39% no risco de novo derrame em pacientes com histórico de AVC
anut21ng Stock/Adobe Stock
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A Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, participou de um grande estudo internacional sobre AVC hemorrágico. O ensaio clínico TRIDENT reuniu centros de 12 países e avaliou 1.670 pacientes. Em Botucatu, 18 pessoas atendidas na Unidade de AVC do Hospital das Clínicas entraram no estudo. Depois da alta, a UPECLIN acompanhou cada uma delas com consultas e ligações por vários anos.

Como funciona a polipílula e o que mudou

A pesquisa testou uma polipílula tomada uma vez ao dia. O comprimido reúne três remédios já conhecidos, em baixa dose: telmisartana, anlodipino e indapamida. Parte dos pacientes recebeu essa combinação; outro grupo tomou placebo, sempre junto ao tratamento padrão. Com isso, os pesquisadores compararam os resultados. A pressão média do grupo da polipílula ficou em 127 mmHg. No grupo placebo, a média foi de 138 mmHg.

Após cerca de dois anos e meio, 4,6% dos pacientes que usaram a polipílula tiveram novo AVC. No grupo placebo, o índice foi de 7,4%. Além disso, outros eventos cardiovasculares graves também ocorreram menos entre quem tomou o comprimido triplo. Segundo o neurologista Rodrigo Bazan, da Unesp, controlar a pressão abaixo de 13 por 9 reduziu em 39% o risco de AVC recorrente.

Impacto para pacientes da região e próximos passos

O AVC é a segunda causa de morte no Brasil e deixa muitas pessoas com sequelas. Por isso, manter a pressão sob controle após o primeiro episódio é essencial. A adesão à polipílula no estudo chegou a 86%. Esse número é considerado alto, principalmente porque o acompanhamento foi longo. Para os pesquisadores, a explicação está na praticidade de tomar um só comprimido, em vez de vários horários e receitas diferentes.

Na prática, resultados como esses podem abrir caminho para novas estratégias no SUS. Pacientes de Botucatu e região, por exemplo, podem se beneficiar de tratamentos mais simples e fáceis de seguir. Além disso, a equipe lembra que o inverno aumenta o risco de AVC em até 20%. Por isso, reforçar o controle da pressão, manter hidratação, fazer atividade física e seguir a medicação corretamente continua sendo fundamental.

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