Um novo método pode mudar a forma como a hanseníase é identificada no Brasil. Pesquisadores desenvolveram um exame de sangue aliado a um questionário clínico e a uma ferramenta de inteligência artificial, capaz de detectar a doença ainda em fases iniciais.
O estudo, conduzido por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), utilizou amostras coletadas durante um inquérito de Covid-19 em Ribeirão Preto. A partir disso, os cientistas conseguiram identificar casos que passariam despercebidos pelos métodos tradicionais.
Atualmente, exames comuns costumam falhar no início da doença, já que a carga bacteriana ainda é baixa. Por isso, o novo modelo surge como alternativa para ampliar a detecção precoce.
Método combina exame, questionário e inteligência artificial
Os pesquisadores utilizaram duas etapas principais. Primeiro, aplicaram um questionário clínico com foco em sintomas neurológicos. Em seguida, analisaram amostras de sangue em busca de anticorpos ligados à bactéria causadora da hanseníase.
Diferente do teste convencional, o novo exame avalia três tipos de anticorpos. Com isso, ele consegue indicar não apenas a infecção ativa, mas também exposição prévia ao bacilo.
Além disso, a análise contou com apoio de inteligência artificial, o que aumentou a precisão dos resultados. Quando combinadas, as ferramentas atingiram 100% de sensibilidade na identificação dos casos suspeitos.
Resultados chamam atenção dos pesquisadores
Durante o estudo, 224 pessoas participaram da triagem e 195 tiveram exames analisados. Depois, 37 passaram por avaliação clínica presencial. Ao cruzar os dados, os pesquisadores identificaram 12 novos casos da doença — muitos sem sintomas evidentes.
Esse resultado reforça a importância da detecção precoce. Segundo os especialistas, o exame não substitui o diagnóstico médico, mas ajuda a indicar quem precisa de avaliação especializada.
Outro ponto relevante envolve o custo. De acordo com os pesquisadores, o novo teste utiliza técnicas semelhantes às já existentes, o que facilita a aplicação em larga escala na rede pública.
A hanseníase ainda representa um desafio de saúde pública. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, atrás apenas da Índia. Por isso, iniciativas que ampliam o diagnóstico precoce podem ajudar a reduzir a transmissão e evitar complicações mais graves.
Agora, a próxima etapa será validar o método em maior escala. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer o atendimento na atenção básica.






