FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Governo investiga apps de delivery por repasses a entregadores

Senacon apura se plataformas deixaram de informar quanto fica com empresas e quanto vai para entregadores
Márcia Foletto/Agência O Globo
Márcia Foletto/Agência O Globo

O governo federal iniciou uma investigação contra aplicativos de delivery por suposta falta de transparência nos repasses feitos aos entregadores.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) decidiu abrir procedimento contra as empresas iFood e Keeta após identificar indícios de descumprimento das novas regras do setor.

Segundo o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, as plataformas podem receber multas de até R$ 14 milhões caso as irregularidades sejam confirmadas.

Norma exige mais transparência

A Senacon publicou a regra em março deste ano. Desde então, aplicativos de delivery e transporte precisam informar ao consumidor quanto do valor pago fica com a plataforma e qual parcela segue para entregadores e estabelecimentos.

Além disso, a norma obriga as empresas a detalharem essas informações diretamente na nota fiscal apresentada ao cliente.

O prazo para adequação terminou em 24 de abril. No entanto, segundo o órgão, o acompanhamento apontou possíveis falhas no cumprimento da regra.

Além do iFood e da Keeta, a secretaria também monitora outras plataformas do setor. Entre elas estão Mercado Livre, 99, inDrive e Lalamove.

Empresas negam irregularidades

O iFood afirmou ter recebido a abertura do processo com surpresa. Além disso, a empresa declarou que tenta manter diálogo técnico com a Senacon para adaptar os sistemas às novas exigências.

Segundo a plataforma, as mudanças exigem ajustes internos, criação de novas funcionalidades e alterações operacionais no aplicativo.

Já a Keeta negou qualquer irregularidade. A empresa afirmou que os recibos já apresentam a divisão dos valores pagos pelos consumidores, incluindo taxas da plataforma, entrega, gorjetas e repasses aos estabelecimentos.

Além disso, a empresa reforçou compromisso com transparência e colaboração com as autoridades responsáveis pela fiscalização.

Empresas terão prazo para defesa

A Senacon publicará oficialmente o processo no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (28). Depois disso, as empresas terão 20 dias para apresentar defesa.

Enquanto isso, o órgão continuará monitorando o cumprimento das regras de transparência pelas plataformas.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, a medida busca proteger consumidores e entregadores ao ampliar a clareza sobre os valores cobrados nos aplicativos.

Além disso, o governo afirma que a regra ajuda os trabalhadores a entenderem quanto realmente recebem pelas entregas realizadas.

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