São Paulo fechou 2025 com a menor taxa de mortalidade em cirurgias oncológicas desde que esse dado passou a ser medido, em 2008. O índice caiu para 1,10%, ante os 2,31% registrados 17 anos atrás. No mesmo período, o Estado realizou cerca de 80 mil cirurgias desse tipo — volume que o coloca entre os que mais operam casos de câncer de alta complexidade no Brasil. Ainda assim, pela primeira vez, São Paulo aparece entre os cinco estados com menor mortalidade nessa categoria de procedimento.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (4), durante o Seminário SUS Paulista: Regionalização, Acesso e Inovação em Saúde, evento promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Como a taxa evoluiu ao longo dos anos
Em 2008, São Paulo tinha mortalidade acima da média nacional em cirurgias oncológicas. Essa diferença diminuiu aos poucos: em 2011, os dois índices se equipararam e seguiram parecidos até 2022. A partir de 2023, o cenário mudou de vez — o Estado passou a registrar taxas menores que a média do país, e essa distância aumentou nos dois anos seguintes.
O assessor técnico da SES-SP, Alberto Tomasi, atribuiu a queda ao aumento da capacidade de atendimento e à reorganização da rede oncológica estadual. Ele resumiu o resultado assim: “realizar cerca de 80 mil procedimentos em um único ano e, ao mesmo tempo, registrar uma taxa de mortalidade de 1,10% demonstra que é possível ampliar o acesso à assistência especializada mantendo a qualidade do cuidado”.
Outros números apresentados no seminário
O painel Regionalização e Ampliação do Acesso trouxe ainda dados sobre medicamentos e internações. A disponibilidade de remédios nas farmácias estaduais passou de 96% na atual gestão, segundo a assessora técnica Renata Zaidan — a logística por trás desse abastecimento movimenta mais de 80 toneladas de medicamentos e insumos.
As internações no Estado também subiram: houve alta de 16% entre 2022 e 2025, conforme apresentado pela coordenadora de Planejamento de Saúde, Silvany Portas. Em termos práticos, esse crescimento equivale a uma capacidade extra de cerca de 8,6 mil leitos, considerando quatro internações por leito no período.
Sobre o processo de regionalização discutido no evento, o consultor da OPAS Renilson Rehem defendeu que os avanços recentes precisam virar base para novos planos de saúde nos próximos anos, com participação conjunta de Estado e municípios.




