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Milei recua e retira venda de terras a estrangeiros

Pressão popular e falta de apoio no Senado derrubam projeto

Mariana Greif/Reuters
Mariana Greif/Reuters
doe sangue

O governo argentino recuou nesta quinta-feira (6) e tirou de pauta o projeto que ampliava a venda de terras a estrangeiros no país. A decisão veio depois de dias de forte pressão popular e da constatação de que o texto não teria votos suficientes no Senado. Apesar do recuo nesse ponto, o Executivo manteve na mesma sessão outro projeto igualmente contestado: a liberação da venda de áreas protegidas atingidas por incêndios florestais.

Curiosamente, um símbolo esportivo acabou virando estopim da mobilização contra a proposta. Durante a semifinal contra a Inglaterra, jogadores da seleção argentina exibiram uma faixa com a frase “as Malvinas são argentinas” — referência à guerra travada entre os dois países na década de 1980 pelo controle do arquipélago no extremo sul da América do Sul. O gesto reacendeu um sentimento nacionalista que, segundo analistas, ajudou a inflamar as manifestações contra a venda de terras para estrangeiros.

Uma oposição que uniu lados opostos

O que chama atenção nesse episódio é a diversidade de vozes contrárias ao projeto. Governadores de diferentes correntes políticas, artistas que raramente opinam sobre política e até o zagueiro Lisandro Martínez, vice-campeão pela seleção argentina, se posicionaram publicamente contra a medida. Mais surpreendente ainda foi a reação de dois senadores próximos ao governo: Alfredo De Angeli e Maximiliano Abad, mesmo sem integrar o partido de Milei, La Libertad Avanza, romperam com o apoio de costume e criticaram abertamente a proposta de estrangeirização das terras argentinas.

O texto era mais brando que a ideia original de Milei

Antes de ser retirado da pauta, o projeto em discussão já representava uma versão atenuada em relação à proposta inicial do governo — que pretendia eliminar por completo qualquer limite à compra de terras por estrangeiros. A versão mais recente previa apenas uma flexibilização: o teto passaria de 15% para 25% do total de terras de cada província disponível a compradores estrangeiros. Ainda assim, o governo insistia que mesmo essa restrição prejudicava a atração de investimentos internacionais para o país.

Essa não é a primeira vez que Milei tenta driblar essa regra. Logo no início do mandato, em dezembro de 2023, ele havia tentado revogar o limite por meio de decreto presidencial — medida barrada pela Justiça argentina na época. Agora, o governo evita cravar que o projeto está definitivamente enterrado: prefere dizer que está “reavaliando” a proposta, sem estabelecer prazo para uma eventual nova tentativa no Senado.

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